Verônica (2009)
Para começar, no Letterbox diz que é de 2009; no Google diz que é de 2008. Esse tipo de confusão digital é maravilhosa. É uma confusão paterna daquelas que um dos seus pais te liga no meio da tarde perguntando sua data de nascimento e nome completo como se, magicamente, eles não estivessem lá quando você surgiu no mundo.
E isso é lindo porque, ironicamente e sem querer, é o que ocorre no filme.

Ai que ódio. Toda vez que eu uso "não só tals, mas tals", eu fico com medo de me confundirem com uma IA. Acho que no final das contas, eu sou um robô.
Verônica é ambicioso. Ele é verdadeiro como qualquer filme nacional (até os mais fantasiosos) é.
São angustiantes, trágicos e necessários. O enredo se desenrola fácil, chamativo e carismático.
Assim como Paulo Freire sonhava: o filme narra o cotidiano viscoso de uma professora que enfrenta assaltos, comerciantes de drogas e homicídios no cotidiano. Subitamente, ela precisa proteger um menino de oito anos de idade que teve seus pais assassinados pelos traficantes (ou pelos milicianos?).
A atuação da minha amada Andréa Beltrão é maravilhosa, como era de se esperar.
Entretanto, não consegui me sentir mais tão cativada no final da história. Como algo doce demais que amarra na boca depois de um tempo, me perdi em meio as loucuras. A catarse impediu umas estrelas a mais no letterbox, mas nem só de estrelas se faz um céu.
Verônica é algo que eu assistiria sem querer em uma das sessões do Corujão, quando a insônia me pegava desprevenida na infância.
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