Um primeiro delírio
E se não der certo? Eu pensei.
É que não faz sentido,né?
10 horas da noite, levantei da minha cama para pegar água, eu senti um vento nas minhas costas de uma janela aberta. Sabe? Às vezes eu fico sozinha de noite,é a única vez que eu vou para a sacada.
Eu não costumo vir muito aqui. E não é como se eu usasse roupas no meu apartamento… então eu venho de noite onde eu acho que ninguém vai me ver.
E aí eu ouço o barulho dos carros e me incomoda. Eu não gosto do barulho dos carros,e eu ouço o beijo,o pequeno tilindar que parecem taças de vinho se encontrando,mas na verdade são os barulhinhos que os morcegos fazem por aí Talvez eles estejam fazendo um jantar,eu não sei. Eu não sei muito sobre mamíferos. E eles beijam e vão de lá para cá..eu mesma nunca vi um, mas eu sei que eles estão aqui,como vento nas minhas costas. Eu não vejo, eu só sinto.
É uma das poucas vezes que eu venho para minha sacada antes de ir para cama,antes de deitar, antes de parar,antes de tentar,pegar no sono,mas a casa permanece a mesma no escuro Apesar de que eu…não. Tá errado. Eu sei de cor, a casa. Eu sei de cor as paredes, eu sei de cor onde fica meu quarto,minha cama, cozinha, sala tudo eu sei. Eu acho que eu sei mais dela do que de mim e eu sei pouco dela, então imagina que eu sei sobre mim. Eu deveria ir na sacada durante a manhã, deveria ver o céu. Eu deveria, mas eu não tenho tempo. Só tenho tempo para ir de noite.
As luzes do meu apartamento estão sempre desligadas,eu gosto de ficar no escuro. Eu gosto de combinar com escuro. A minha pele,o meu cabelo, eles se mesclam e nós viramos uma coisa só. E aí eu posso vir.
Eu posso ver a rua e as luzes… É engraçado,a miopia. Ela não deixa que eu veja com clareza as luzes então elas ficam todas assim,estouradas. É algo único,é algo que talvez eu não consiga te explicar porque só tendo…
É uma das poucas coisas que a gente só consegue experienciar,então eu vejo o verde, o vermelho,o amarelo, as luzinhas de Natal que alguém deixou e já estamos em março,mas elas estão lá ligadas todas as noites. E eu ia estranhar se elas não ficassem ligadas toda noite. Eu já me acostumei
E aí eu ouço o barulho dos carros e me incomoda. Eu não gosto do barulho dos carros,e eu ouço o beijo,o pequeno tilindar que parecem taças de vinho se encontrando,mas na verdade são os barulhinhos que os morcegos fazem por aí Talvez eles estejam fazendo um jantar,eu não sei. Eu não sei muito sobre mamíferos. E eles beijam e vão de lá para cá..eu mesma nunca vi um, mas eu sei que eles estão aqui,como vento nas minhas costas. Eu não vejo, eu só sinto.
É uma das poucas vezes que eu venho para minha sacada antes de ir para cama,antes de deitar, antes de parar,antes de tentar,pegar no sono,mas a casa permanece a mesma no escuro Apesar de que eu…não. Tá errado. Eu sei de cor, a casa. Eu sei de cor as paredes, eu sei de cor onde fica meu quarto,minha cama, cozinha, sala tudo eu sei. Eu acho que eu sei mais dela do que de mim e eu sei pouco dela, então imagina que eu sei sobre mim. Eu deveria ir na sacada durante a manhã, deveria ver o céu. Eu deveria, mas eu não tenho tempo. Só tenho tempo para ir de noite.

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