Thrash (2026)

 Segundo estudiosos do Wikipedia, o termo Guilty pleasure (prazer culposo) descreve algo que você adora fazer, assistir, ler ou comer, mas sente uma leve vergonha ou culpa em admitir, geralmente por ser considerado fútil, de baixa qualidade ou socialmente questionável.

Posso dizer com tranquilidade que filmes de tubarão são meu prazer mais culposo de todos. Eu já vi tubarão em Paris, tubarão em caverna, tubarão em gaiola, em praia deserta, em casa no fundo do mar; mas em uma cidade é a primeira vez.
Tubarões, no universo mágico da cinegrafia, têm muito mais milhas do que uma senhora aposentada servidora pública sem filhos e com 3 idiomas no currículo.

Desde o clássico Tubarão (1975), tenho visto o cinema ser inundado de uma coisa bem mais perigosa do que esse lindo animal: um gradissíssimo freestyle de biologia acerca de tubarões. São informações maravilhosas totalmente irreais e fantasiosas com um pouco ou talvez nenhum fundo de verdade que permeiam esses bixinhos.

Não é falando mal, mas a demoninação de um animal tão importante para o ecosistema é uma loucura. Me faz lembrar que, em um dos filmes de tubarão que assisti, enquanto os créditos rolavam, informações sobre a irrealidade do que foi narrado e até um chamado a cuidar e não ter preconceito com as diversas espécies. 

Escrevendo agora, lembro-me de um gringo no tiktok dissecando sobre a história do terror; mais especificamente, o terror cósmico. Ele dividiu o terror cósmico entre três subcategorias: 
- Terror Cósmico de Branco
- Terror Cósmico de Negro
- Terror Cósmico Queer.

Cada um deles com suas próprias narrativas. O terror, como eu imagino que seja de conhecimento geral, é uma ferramenta que fala mais sobre a própria sociedade do que sobre os monstros e criaturas. 
É claro que aqui, o tubarão não vem em uma nave espacial ou cai do céu, mas se eu fosse colocar ele em uma dessas categorias, seria no terror cósmico de branco. Assim, ele consite que o tubarão, é uma forma da natureza que é indomável e o viril e poderoso homem branco não consegue destruí-lo. 

Não vou reduzir o animal a isso. Até porque, podemos viajar nas possíveis interpretações de um tubarão na mídia. Pensando agora, posso problematizar alguns.

Em alguns filmes, há uma protagonista feminina contra esse gigante inoportúnio que a cerca, ataca seus aliados, a machuca. Mas ela consegue escapar com sua inteligência astuta. Aonde o tubarão mais parece uma figura masculina...cercando, indomável, consumido somente pela fome irracional de consumir.

Em alguns outros, a pegada é mais ambiental: os tubarões invadem outros espaços porque os dele estão ameaçados pelo Homem (enquanto humanidade). Aqui, o tubarão cria forma de um "karma" gerado pela natureza.

Uma coisa em comum entre os filmes é que: o tubarão, não importa quem esteja representando, não atinge quem é puro de coração. Quem não merece. 
Quase como se o animal tivesse consigo um leitor de áurea impecável que nunca vai machucar a menina que não queria ta alí; ou as crianças que se meteram nessa confusão. 

Além do mais, vilão sim, monstro jamais. 

Ah, esqueci de falar sobre o filme: é legal, tem tubarão e eu gosto de tubarão. :)

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