O Mundo pra Degustar

 Para comemorar seu aniversário, minha prima decidiu levar parte da família e amigos para um rodízio.
Entre os pedaços de carne e kafta, peguei-me revisitando um pesamento antigo meu: Quer conhecer o mundo? Vá a um restaurante (especialmente brasileiros).

É mais um daqueles pensamentos profundos que vem do nada e ficam. Como um simples estabelecimento consegue ser uma amostra explícita da globalização? É fascinante, ao meu ver. 
Vou pegar aqui exemplos e tentar esmiuçar esse cardápio em uma análise de origens, afim de demonstrar como cabe um mundo inteiro em um menu. Minha única ressalva é que: as origens são téoricas em sua maioria.



Nada mais justo do que começar com o rodízio que visitei hoje. 
Entre o cardápio, tinhámos:
- Pão de Alho (originado da Itália, o pan con l'aglio é um pão rústico feito com alho, azeite e sal)
- Kibe (tem origem no Oriente Médio, especialmente na Síria e no Líbano. A palavra vem do árabe kibbeh ou kubbah, que significa "bola")
- Coração (tem origem na culinária de aproveitamento de miúdos, com raízes antigas na cultura europeia e asiática)
- Queijo Coalho com melaço (é um prato típico do Nordeste brasileiro, nascido nos sertões por volta do século XVII (ou possivelmente desde 1581) como solução de vaqueiros para conservar o leite)

Além das clássicas:
- Batatas Fritas (origem é disputada entre Bélgica e França, datando do final do século XVII)
- Anéis de Cebola (origem incerta, mas popularizou-se nos Estados Unidos na década de 1920/1930)

Isso apenas uma mostra. Apenas numa noite, minha boca pôde se aventurar pela Itália, Oriente Médio, antiga Europa e Ásia, nordeste, Estados Unidos...

Agora me diz: em que outro momento da história mundial seríamos capazes de comer algo típico do Oriente? Aqui, no meio do Brasil? Já imaginou quão revolucionário seria se medievos da frança pudessem ter a honra de comer anéis de cebola vendo Santos X Palmeiras? Penso comigo que a revolução não vem só com quebra pau e rupturas abruptas na sociedade. Talvez venha com batatas fritas e caipirinha.

A globalização me irrita em muitos aspectos, mas não posso negar que me conquista pelo estômago. 
Queria eu que, em meu ensino fundamental, o professor de geografia me passasse um trabalho simples como ir a um Self Service e escolher míseros dois pratos para pesquisar sua origem.

São momentos como esse que eu quebro a minha rotina e começo a perceber quanta coisa veio antes de mim para que hoje seja possível desfrutar coisas tão simples quanto comidas. Quanta gente, quantas viagens, quantos conhecimentos passados geracionalmente apenas para que eu possa me sentir satisfeita numa noite de sábado.
São momentos assim que tomo consciência de meu lugar no mundo: um lugar de insignificância que não é necessariamente ruim, enquanto tenho o respeito e o agradecimento. 

Talvez seja a nerd de história em mim, mas são pequenos pensamentos que me fazer sentir pertencente de um movimento histórico bem maior que eu. 

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