Chinatown (1974)

Letterbox

Eu sou uma mulher fácil. Dos filmes que comecei a logar no Letterbox, um pouco mais da metade receberam o famigerado coraçãozinho além das cinco estrelas tradicionais.
Minhas estrelas são democráticas até porque a arte age de diferentes formas. 

Achei esse filme após uma pequena ânsia por algo novo no antigo. Pesquisei por filmes de detetive, usando de referências alguns que já tinha gostado anteriormente. Eis que surge o nome: Chinatown. 

Há poucos filmes que me pegam pela mão e me conduzem tão livremente para outra realidade. Fiquei tão pescada por essa isca em formato de Jack Nicholson. Uma surpresa boa ter ele no elenco, já que é uma figura familiar de tantas vezes que vi os filmes do Batman na infância. 

Na glamurosa e desprezível década de 1930, em meio as guerras da água na Califórnia, J.J Gittes é um detetive de Los Angeles especializado em casos de traição. É o Léo Dias deles.
O coitado é contratado por Evelyn Mulwray para investigar uma suposta traição do marido, Hollis Mulwray, engenheiro-chefe da Companhia de Água e Energia de Los Angeles.

Gittes descobre que Hollis mantem um relacionamento com uma moça, porém, é surpreendido quando a verdadeira Evelyn Mulwray aparece em seu escritório disposta a processá-lo.
Em seguida, Hollis aparece morto em um reservatório e Gittes decide descobrir quem o enganou. Sua busca revela uma trama de desvio de fornecimento de água, aquisições de terras no Vale de São Fernando e o envolvimento de pessoas ligadas a Companhia de Água e Energia, e até do pai de Evelyn, Noah Cross.


"Nenhuma pergunta sua é inocente." (trecho do filme)

Só pela genialidade do Gittes de colocar o relógio atrás do pneu para ser quebrado na hora que o Hollis fosse embora de um lugar; ou quando ele quebrou a lanterna traseira do carro para conseguir indentificá-lo na hora de perseguir..., já ganhou meu coração.

A narrativa não é tão confusa quanto você pensa ao ler a sinopse. Na verdade, nós vamos descobrindo o desenrolar junto com o Gittes. O coitado que só apanha e se fode me fez pensar a necessidade de um sindicato dos detetives, ou talvez um seguro contra acidente. 
Gosto de personagens principais que são fáceis de se identificar, porque eu também ficaria revoltadíssima se estivesse atrás de fofoquinha de traição e caísse em um caso de homicídio.

O roteiro é gostoso e bem pensado. As falas são calmas e tranquilas, como se fosse tudo um grande segredo passado para o telespectador. Não é como os roteiros atuais em que os personagens se veem obrigados a dizer em voz alta todos os pensamentos e ações. 
As músicas! A trilha sonora me colocou um terno e me botou pra trabalhar e a direção assinou minha carteira de trabalho de tão envolvente que é.

Mas, para mim, o ponto alto é o ponto mais baixo que um filme pode ter: o final. 
Após uma aventura de duas horas e uns quebradinho, minha boca caiu aberta. O espanto, o horror, o twist e o desespero pareciam que fossem meus. É um daqueles poucos filmes que me deixou sem palavras e com a mente parecendo um peitinho de frango enquanto os créditos subiam. 
Não sabia o que sentir, o que fazer. 

A arte tem esse poder de te fazer parar. Nem sempre é para refletir, as vezes é só para sentir.
E Laerte, eu senti. 

"Esqueça, Jake. É Chinatown."


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